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3 de mar. de 2022

A PENSÃO DO HORROR

 

 

Por Adriano Siqueira

 

            Adilson Sales estava na porta da pensão e chamou o dono, Ulisses. Assim que pagou a estadia, recebeu a chave do seu quarto, era número 46. Quando ia para o quarto, ele viu o dono dar dinheiro para algumas pessoas que trabalhavam pra ele, cortavam a lenha pra abastecer a fornalha pois não usavam eletricidade no chuveiro. 

            Adilson foi para o quarto e adormeceu. Ás duas da manhã ele escutou homens batendo forte na porta do seu vizinho. Gritos de desespero e tiros eram ouvidos. Adilson se escondeu debaixo da cama e ligou para o Ulisses e ele escutou o celular no quarto do vizinho tocando. O dono do local estava lá e bateu na porta do Adilson dizendo que estava enfrentando um cachorro louco e não era para ele sair. O Dono mandou os homens embrulharem e jogar na lareira. 

            Ulisses deu três pílulas para Adilson tomar dizendo que era para dormir. Adilson tomou e ele viu um rabo de peixe do tamanho de um metro passando por trás do Ulisses. Antes de questionar, o Dono trancou a porta dizendo que era para protegê-lo. 

            Adilson acordou de manhã. Ele gritou para alguém abrir a porta mas ninguém respondeu. Foi até a janela e desceu pelo telhado e pulou uma distância de dois metros até o chão. Muitos homens estavam mortos e alguns eram aberrações. Homens e animais misturados. 

            Ulisses apareceu no corredor e agarrou o Adilson. Seus braços eram de um polvo. Um homem lobo atacou o Ulisses e isso fez o Adilson se soltar. A luta foi feroz. Dois homens com rostos de cachorros começaram a morder o seu braço. Ele pegou uma pá e bateu até largarem o Adilson que correu para o ultimo andar. Ele encontrou um homem deitado e coberto. Disse que era um soldado e que esse lugar era do governo, que faziam testes com humanos que ele estava preso lá. Dizia para não tomar as pílulas. Elas transformavam humanos em monstros. Adilson disse que já era tarde, que já havia ingerido as pílulas.

            Ele queria ajudar o soldado a sair de lá mas quando tirou o cobertor ele viu que era meio homem e meio serpente. O homem serpente disse que a pensão tinha explosivo em todos os quartos mas o detonador estava com o Ulisses. Ele precisava achar e explodir tudo ou esses  monstros destruiriam a terra. 

            Adilson correu para achar o Ulisses mas só encontrou pedaços dele pelo caminho. O homem lobo agarrou o Adilson e aos poucos ele começou a se transformar. Pensou que agora seria um leão ou um grande gorila, mas apareceu um bico de cegonha em seu rosto. Adilson gritava de dor. O Sangue tomou conta do chão e ele caiu tonto. Viu o detonador no cinto do homem lobo quando este virou a sua cabeça para o lado. Adilson usou seu bico e foi diretamente no botão de ignição do detonador e toda a pensão começou a explodir. Nada restou.

 

Arte: Adriano Siqueira
Edição de Imagem: André Bozzetto Jr

8 de jan. de 2022

RETROSPECTIVA 2021

 

Chegamos à primeira postagem de 2022 e, apesar do clichê, não há momento melhor para fazermos uma retrospectiva de tudo que rolou com o blog Relatos Noturnos em seu primeiro ano de existência e, por consequência, com a minha atuação como escritor de Literatura Fantástica ao longe de 2021.
 
Inicialmente, o blog surgiu com a proposta de republicar os meus contos que haviam sido postados originalmente no extinto Escrituras da Lua Cheia, que existiu entre os anos de 2009 e 2013, além de servir de espaço para a publicação de contos inéditos. Além disso, a ideia era também dar espaço para a abordagens de outras mídias das quais sou grande apreciador, como histórias em quadrinhos, filmes e livros, seja através da divulgação do conteúdo original ou através de artigos, entrevistas e resenhas, tendo como único critério se tratar de produções à cargo de realizadores nacionais.
 
Tudo isso foi feito com louvor. Republiquei quase todos os contos do meu finado blog, apresentei ao leitor histórias inéditas de minha autoria e ainda postei muito conteúdo – entre contos, resenhas, HQs, artigos – de outros excelentes autores, renomados e reconhecidos por sua atuação junto à cena de Arte Fantástica nacional, seja no mainstream ou no underground, como Renato Rosatti, Adriano Siqueira, Gian Danton, Sidemar de Castro e Angelo Júnior, só para citar os mais presentes.
 

Importante destacar também que o Relatos Noturnos se consolidou em paralelo como um selo literário independente, através do qual republiquei os meus livros de lobisomens aclamados pela crítica e pelos leitores fãs de licantropia – Na Próxima Lua Cheia e Jarbas – que estavam esgotados há mais de dez anos, além de ter publicado o inédito Lobos do Sul, que na época do lançamento chegou a vigorar no ranking dos 10 Mais Vendidos da Amazon e na lista dos mais vendidos da semana no Clube de Autores.
 

Impossível deixar de citar outro ponto alto da minha retomada no meia da Literatura Fantástica, que foi a participação em ótimos canais do Youtube com programação voltada ao gênero, como é o caso do Milhas e Milhas, do “Mestre do Terror”, Cássio Witt (assista os vídeos clicando AQUI, AQUI, AQUI e AQUI), Horrorama (veja AQUI) e Sem Freio, de Dimitri Kozma (assista AQUI).
 

Para este 2022 que se inicia, a meta é a publicação de novos livros (novidades em breve!) e a continuação das postagens regulares do blog, com conteúdo desenvolvido por mim e por nossos colaboradores.
 
Quero finalizar agradecendo imensamente aos parceiros pelo envio de conteúdo que engrandece o blog e em especial aos leitores, que acompanham o material postado aqui, curtem compartilham e comentam nas redes sociais e adquirem os livros do selo, o que serve de enorme incentivo para se continuar produzindo cada vez mais e com o máximo de qualidade possível. Nos vemos por aí, à noite, de preferência. Valeu!  

9 de dez. de 2021

DÓRIS - A LENDA DO PRESENTE FANTASMA

 

 

Por Adriano Siqueira e Maria Ferreira Dutra

 

Era Noite de Natal. A família Diagonês fez todos os preparativos para as entregas dos presentes. As oito crianças queriam logo abrir os pacotes e brincar com todas as surpresas que ganharam.

A mãe da Sara organizou a festa de abertura dos presentes e assim colocou as crianças para receberem primeiro.

Todas abriram os seus presentes e brincaram lá mesmo na festa na companhia de doces e sucos.

Eles subiram para o quarto de Sara e depois de brincarem bastante o Roberto disse que queria contar uma história sobre presentes.

todos brincavam com seus amigos, mas ouviram atentamente a história do Roberto.

*

Nessa mesma rua que tem o nome de Joaquim Roseira morava uma menina de oito anos chamada Dóris. Ela adorava brincar mas era muito brava e briguenta e sempre queria os melhores presentes.

Na noite de Natal ela se reuniu com as três amigas e todas receberam presentes. Muitas garotas ficaram felizes com o que receberam. Mas quando chegou a vez da Dóris ela abriu o presente e tinha apenas uma pequena agenda e três lápis de cor. As amigas começaram a rir e disseram que ela merecia por ser muito exigente.

Dóris se levantou, pegou os três lápis e disse que iria matar todos que davam porcarias de presentes.

Ela enfiou o lápis na garganta da Lívia e o sangue escorreu pela roupa toda. Dóris tentou agarrar as outras duas amigas mas se enroscou nos papéis de presentes e as luzes da árvore de natal causaram curto circuito e a árvore começou a pegar fogo e o papel de presente colorido colaram na sua pele e rosto. Ela gritava. Mas não era de dor, gritava de ódio.

Os adultos chegaram e apagaram o fogo.

O corpo da Dóris teve muitas queimaduras e os laços do presente pelo corpo todo e também o plástico e papel se juntaram com sua carne.

Roberto passava o lenço na sua testa. todos ouviram a história e ficaram paradas imaginando o terror daquela cena.

Os oito amigos ouviram gritos que vinham da sala.

Eles desceram. Parecia que só tinham meias nos presentes. Roberto apontou para o fantasma.

— Vejam! A Dóris está aqui!

As caixas de presentes estavam vivas. agarravam os humanos e as fitas de embrulho os enfocavam no teto. A Dóris andava com o corpo de papel de presente laços e o rosto disforme.

— Mais presentes. — Eles são meu presentes...

A Dóris olhava para as  crianças e disse:

— Quero eles de presente também.

As caixas e fitas começaram a correr em direção das crianças.

Roberto levou um presente para a Dóris. O Fantasma parou por um momento. Ela olhou a caixa colorida e tomou da mão do Roberto.

Era um par de brincos de estrelas de cristal.

Dóris gostou tanto que começou a experimentar. Ela sorriu e foi até o espelho. Só que ao ver o seu rosto ela gritou de ódio, pois agora ela era um monstro. Antes dela voltar a atacar, Roberto tomou os três lápis da mão da Dóris e enfiou no pescoço dela.

Dóris desapareceu e todos na sala estavam salvos da Maldição dos Presentes.

 

 

Ilustração: Maria Ferreira Dutra
Edição de imagem: André Bozzetto Jr


1 de dez. de 2021

FUGINDO DO DESESPERO - Seu sonho pode ser sua destruição

 

 

Um conto do Neculai

 

Por Adriano Siqueira

 

─ Alô!

─ Não sei quem é você mas se for amigo da Nathalia eu não tenho nada para falar. Mas... que porcaria é essa? Meu celular não desliga! Alô?  

─ Tenta tirar a bateria Raul. Vai ver que mesmo assim ele irá funcionar. Quero falar com você. 

─ O que fez com meu celular? Quem você pensa que é?

─ Meu nome é Neculai!

─ Não estou entendendo nada. 

─ A Nathalia queria casar com você. Confiou em você. Pegou todo o dinheiro dela. Toda as economias do casamento e agora vai fugir. Talvez procurar outra pessoa para cair na sua conversa. 

─ Isso não é da sua conta!

─ É sim! Eu queria ela, mas o sangue dela não estaria com o gosto que quero. Descobri o motivo dela estar e soube da sua história. Peguei o seu número de celular e estamos aqui falando alegremente.

─ Não vai me pegar. Eu já estou saindo do prédio.

─ Ah certo! É exatamente este o seu problema. Antes de ligar para você eu liguei para algumas pessoas. Pessoas que amam outras pessoas e elas fariam de tudo para mantê-las vivas. Conversei com o eletricista e ele travou seu elevador. Sei que mora no décimo andar. Será uma longa caminhada até o térreo. Vai ter que descer pelas escadas.  

─ Eu não sei quem é você mas vai pagar pelo que está fazendo. 

─ Não fique de mau humor. Pense positivo. São só 10 andares. Eu poderia empurrá-lo pela janela se eu quisesse. Mas estou te dando uma chance. Afinal sou um bom camarada. Você só tem que descer as escadas e seu carro estará na porta. Pronto! Vai estar livre para aprontar com qualquer pessoa que quiser. Simples assim.

─ Não tenho medo de você! Tá me ouvindo? 

─ Gosto de sentir você. Sua ganância por dinheiro e poder e sua obsessão de roubar os outros usando sua beleza e seu sorriso me deixa com muita vontade de sugar todo o seu sangue. Agora pegue a sua sacola cheia de dinheiro e desça as escadas e continue falando comigo.

─ Tudo bem! Tudo bem! só quero sair daqui. 

─ Só tome cuidado. 

─ Com o quê? Argh... Me feriram me cortaram! Sai... 

─ Isso Raul! Esta é a senhora Délia. Eu disse para ela que se não esfaqueasse o homem na escada ela perderia a neta. 

─ Desgraçado! estou sangrando! 

─ Continue descendo ou os outros cinco que falei pegarão você e ficará todo furado.

─ Eu vou conseguir maldito. Arghhhh

─ Vejo que encontrou mais vizinhos sedentos. 

─ Me soltem! Arghh. Eles estão com facas. Socorro!

─ Mas agora falta pouco Raul! Corre!

─ Arghhh! O corrimão de ferro está eletrificado!  

─ Ah sim! Isso é presente do eletricista. E bom correr ou não vai sobrar de você para dar o próximo golpe!

─ Falta só um andar seu maluco. Eu vou sair dessa e você nunca mais vai me encontrar. Só um andar! Eu vou ficar livre dessa loucura! Espera! Ha ha ha Neculai! Acha que essa criança na escada segurando uma pistola d´água vai me impedir? Ha ha ha! Acha que eu não faria mal a ela para conquistar meu propósito. Acha que eu tenho alguma Moral ou consciência pesada?  

─ Conto com isso Raul! 

─ Sai da minha frente fedelho! 

─ Não deveria tratar as crianças assim Raul... Ainda mais se elas estão armadas com ácido.

─ O que? NAArghhhhhhh.. Meu rosto! Meu rosto! 

─ Isso foi gostoso de ver! Você gravou isso em em vídeo Raul? queria colocar online.

─ M-maldito! V-você vai pagar! Vem aqui! Não. Como chegou tão rápido? Se afaste Vampiro... Não vai me matar não vaaaarrrggh....

─ Ah... Que cheiro maravilhosos o seu sangue tem Raul. Olha só como cada gota eu aprecio em minha boca. Você certamente é de uma safra muito rara. Pânico, Desespero, Dor, Medo... tudo junto com seu sangue que agora eu possuo. O ácido derretendo a sua pele. Dá um cheiro singular junto com todos os seus sentimentos temperados. Um jantar para poucos. Valeu cada gota... Agora vou me divertir o resto da noite.

*

─ Alô!

─ Não faça isso Nathalia. Ele não vale sua vida.

─ Quem se importa? Fui completamente incompetente. Ninguém seria tão idiota em acreditar nesta história do Raul. Mas eu acreditei e paguei por isso. Não sei quem é você mas este mundo não me merece. E quem é você posso saber?

─ Neculai! Recuperei o seu dinheiro. Está no seu carro.

─ Mas como? Não é só o dinheiro. Meu coração, meus sentimentos a minha raiva. Isso nunca vai desaparecer.

─ Não precisa gritar Nathalia. Eu estou aqui. Você me sente?

─ S-sim. M-mas não entendo. Você estava no celular e agora bem aqui. Como faz isso?

─ Sente minhas mãos.

─ Simm! São... E-eu. M-mas. Seus olhos...

─ Eu não sou humano. Meus olhos são a minha maldição. Quem olha para eles, aceita minhas verdades. No momento, quero apenas que renasça, recomece e reconstrua sua vida.

─ S-sim. Mas p-por favor não me solte. eu...

─ Tenho que ir. A noite ainda me quer por perto...

─ M-mas eu...

─ Sou um assassino! Um monstro! Minha fome precisa ser saciada. De qualquer forma, eu tenho seu número. Não encare este fato com alegria! Costumo causar desespero e medo quando desejo alguém.

─ Vou estar sempre aqui Neculai.